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Por Luiz De Barros 25 de fevereiro de 2025
Em 6 de dezembro de 2024, o Mercosul e a UE chegaram a um acordo político sobre um histórico tratado de parceria. Se ratificado, este seria uma das maiores cooperações econômicas do mundo, com um mercado de aproximadamente 780 milhões de pessoas e enormes oportunidades comerciais. No entanto, o acordo está sob pressão. O mundo está em movimento, e tanto os EUA quanto a China têm interesse em uma UE e um Mercosul divididos. Questões políticas e ambientais tornam o acordo controverso, enquanto interesses geopolíticos tornam o campo de atuação ainda mais complexo. Este acordo pode mudar fundamentalmente a relação entre Europa e América do Sul? E quais forças estão puxando os cordões? Este artigo investiga os interesses estratégicos, a divisão interna e a pressão externa que moldam as negociações. Um longo caminho para um acordo As primeiras conversas entre a UE e o Mercosul – composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – começaram nos anos 90, quando a globalização ainda era vista como o futuro. As negociações formais começaram em 1999, com o objetivo de reduzir tarifas de importação e melhorar o acesso ao mercado. Mas repetidamente as discussões travaram, especialmente devido aos interesses agrícolas europeus e às exigências sul-americanas na área de produtos industriais. Além disso, havia uma divisão mais profunda e difícil de transpor: a percepção. Políticos e ONGs da Europa Ocidental, em particular, eram frequentemente percebidos na América do Sul como condescendentes, o que perturbava ainda mais o entendimento mútuo. Em 2019, parecia haver um avanço com um acordo de princípios, mas a conhecida lentidão burocrática da UE causou novamente uma estagnação. As mudanças políticas no Brasil e na Argentina tornaram a situação ainda mais complexa. Internamente, isso causou turbulência, mas a posição do Mercosul para o exterior permaneceu notavelmente constante. Ao mesmo tempo, o cenário político na Europa também mudou: o lobby agrícola ganhou mais influência, enquanto o lobby verde enfraqueceu. Curiosamente, ambos os campos, por razões diferentes, se opõem ao tratado. Uma história compartilhada, mas nenhuma compreensão óbvia Europa e América do Sul compartilham uma longa e profunda história. Mais de 500 anos de influência mútua, migração e comércio criaram pontos de contato culturais e religiosos. Nos países do Mercosul, há até mais católicos do que na UE, e os dois idiomas mais falados são o espanhol e o português. No entanto, esse histórico compartilhado não é garantia de entendimento mútuo. Grande parte dessa incompreensão vem da diversidade dentro da própria Europa. Portugal tem, naturalmente, uma relação diferente com o Brasil do que a Finlândia, e a Grécia olha para o Uruguai com uma perspectiva diferente da Espanha. Isso torna difícil chegar a uma estratégia europeia unificada. Linhas de batalha políticas e econômicas No final, este acordo é sobre interesses econômicos, e ambos os lados estão fazendo forte lobby. Na UE, agricultores e ativistas ambientais lutam contra a indústria e o setor comercial. Na América do Sul, os governos defendem sua indústria e mercado contra a concorrência estrangeira. Enquanto isso, os EUA e a China aproveitam habilmente a divisão interna para fortalecer sua influência em ambas as regiões. O caráter condescendente da atitude europeia, especialmente no norte e oeste da Europa, não facilita as coisas. Apesar de séculos de laços, ainda existe muita incompreensão mútua. E com pressão geopolítica, divisão interna e interesses econômicos difíceis, está claro: um acordo de livre comércio sustentável está longe de ser óbvio. MERCOSUL Brasil O Brasil, com 211 milhões de habitantes, de longe o maior país do Mercosul, mantém todas as opções em aberto. Embora tanto o atual presidente Lula quanto o anterior, Bolsonaro, apoiem o acordo comercial com a UE, o país escolhe um curso pragmático. Em novembro de 2024, durante uma visita de Xi Jinping, Lula fecha nada menos que 37 acordos comerciais com a China. Da agricultura e comércio à energia e tecnologia – o Brasil mostra à Europa que os interesses econômicos vêm em primeiro lugar. Lula já havia alertado a Europa em 2023: o Brasil não aceita "neocolonialismo verde". Em outras palavras: condições que limitam o comércio sob o pretexto da sustentabilidade não são bem-vindas. Enquanto isso, a China com 27% das exportações é de longe o maior parceiro comercial, enquanto a UE (15,4%) e os EUA (11,4%) seguem à distância. Em um mundo onde os blocos comerciais estão cada vez mais em oposição uns aos outros, o Brasil continua a manobrar habilmente entre as grandes potências. Argentina Para o país vizinho Argentina, a UE é o parceiro comercial mais importante depois do Brasil (12,9% das exportações), seguido pela China (9%) e pelos EUA (7,6%). Por anos, o país tem defendido um acordo com a UE, e isso continua sob o presidente Javier Milei. O economista libertário sacode bastante a economia após sua eleição em 2023. Sua terapia de choque funciona: a inflação cai, o déficit orçamentário desaparece e investimentos estrangeiros começam a fluir. Mas o preço é alto – pobreza e agitação social aumentam. Um acordo de livre comércio com a UE se encaixa perfeitamente no curso liberal de Milei e pode dar um impulso extra à economia. Mas ele também está disposto a considerar medidas drásticas, como deixar o Mercosul, para fechar acordos comerciais bilaterais favoráveis com outros países. Paraguai e Uruguai O presidente Santiago Peña do Paraguai vê o acordo Mercosul-UE como um avanço histórico. Em dezembro de 2024, ele diz: "Após 25 anos de negociações, finalmente há um acordo. Esta é uma oportunidade única para o Paraguai atrair investimentos e se posicionar mais fortemente no cenário mundial." No entanto, ele também permanece cauteloso. Alguns meses antes, em outubro, ele já havia alertado que a falta de unanimidade dentro da UE dificultava as negociações. E então há o Uruguai. Este pequeno, mas assertivo membro do Mercosul quer se livrar da lenta tomada de decisão dentro do bloco. O presidente Luis Lacalle Pou está impaciente e acredita que os países deveriam poder fechar acordos comerciais individualmente. As negociações com a UE se arrastam por muito tempo para ele, e ele ameaça com seus próprios acordos, por exemplo, com a China. O Uruguai não quer ficar preso a bloqueios internos e defende a modernização do Mercosul: menos protecionismo, mais comércio, mais flexibilidade. I mpaciência Sul-Americana Os países do Mercosul não estão todos na mesma página. O Brasil quer um acordo com a UE, mas, como os outros, também está olhando para alternativas. A Argentina também é a favor de um acordo, mas tem pressa. O Paraguai vê o acordo como histórico, mas aponta para a divisão europeia. O Uruguai quer mais liberdade de movimento e decisões mais rápidas. Enquanto isso, as negociações se arrastam, dificultadas por interesses divergentes e pressão externa. Uma coisa é certa: o Mercosul está em uma encruzilhada, e as escolhas feitas nos próximos anos determinarão o futuro do comércio sul-americano. UNIÃO EUROPEIA Holanda A Holanda é há séculos uma nação comercial e desempenha um papel fundamental como porta de entrada para a Europa. Com o porto de Roterdã sendo o maior da Europa e Schiphol o aeroporto mais importante dentro da UE, a Holanda é um verdadeiro centro de trânsito. Isso torna o país um importante parceiro comercial para o Mercosul. Para o Brasil, a Holanda é até o quarto destino de exportação, enquanto a Argentina e o Uruguai a colocam em sexto lugar. No entanto, a Holanda, como muitas vezes, luta com o equilíbrio entre o comerciante e o pastor. O comerciante vê no acordo comercial UE-Mercosul uma oportunidade para aumentar os fluxos comerciais, enquanto o pastor fala de forma moralista à América do Sul sobre sustentabilidade e comércio justo. Esta tensão desempenha um grande papel na discussão política. Por um lado, há o influente lobby dos agricultores, que teme produtos agrícolas sul-americanos baratos. Por outro lado, há os poderosos movimentos ambientais, em grande parte financiados pelo governo, que defendem fortemente condições ecológicas no tratado. Esse equilíbrio de forças ficou visível na política holandesa em 3 de dezembro de 2024, quando uma moção foi apresentada para votar contra o tratado no Conselho de Ministros da UE. Os iniciadores? Uma combinação notável de pequenos partidos de esquerda E de direita, que se encontraram em sua resistência ao acordo. A moção recebeu amplo apoio e foi aprovada, com a Holanda se juntando ao campo dos opositores. França Quem na Europa é tradicionalmente o mais forte oponente do acordo UE-Mercosul, não surpreenderá ninguém: a França. O lobby agrícola francês tem influência há décadas e a Política Agrícola Comum (PAC) é sagrada para a França. Em 2019, os agricultores franceses receberam nada menos que €6,3 bilhões em subsídios agrícolas da UE, e esses direitos adquiridos são fortemente defendidos. Sob o presidente Emmanuel Macron, o governo francês endureceu ainda mais sua posição. Paris chama o acordo de "inaceitável" e afirma que coloca a Amazônia em perigo. Macron enfatiza que acordos comerciais não podem ser vistos separadamente da política ambiental e que países que não cumprem acordos climáticos internacionais não merecem vantagens comerciais. O presidente do Brasil, Lula, rebate isso com a acusação de "colonialismo verde" e afirma que o Brasil decide sobre sua própria política ambiental, sem interferência europeia. Os apoiadores: Espanha, Portugal e Alemanha Nem todos os países da Europa pensam como a França. Espanha e Portugal são defensores declarados do tratado. A Espanha vê uma oportunidade estratégica para fortalecer os laços econômicos com a América do Sul, especialmente para a exportação de azeite de oliva espanhol, vinho e outros produtos agrícolas. Portugal, que tem fortes laços históricos com o Brasil, considera o Mercosul seu terceiro maior parceiro comercial fora da UE e vê o acordo como uma forma de fortalecer a posição geopolítica da Europa na América Latina. A Alemanha também é uma grande defensora, embora lá outro interesse esteja em jogo. Berlim olha principalmente para os benefícios econômicos para a indústria alemã. Ao mesmo tempo, há na política alemã – assim como na Holanda e na França – atenção para o impacto no meio ambiente e no próprio setor agrícola. Esse sentimento duplo também é visto em outros países da Europa Ocidental: oportunidades econômicas versus preocupações ecológicas e agrícolas. Divisão europeia No final, a UE está tão dividida sobre o tratado do Mercosul quanto os países dentro do próprio Mercosul. Alemanha e Espanha puxam a carroça, enquanto França, Áustria e Polônia pisam no freio. O cerne do debate? Oportunidades econômicas versus proteção do setor agrícola e condições ambientais. O que está claro: o tratado é muito mais do que um simples acordo comercial. Ele toca em questões mais profundas sobre sustentabilidade, geopolítica e interesses nacionais. E assim como os países do Mercosul navegam entre as grandes potências, a UE navega entre o comerciante e o pastor. Geopolítica BRICS, China e os EUA BRICS Nas últimas décadas, a ordem mundial passou por mudanças drásticas, com a dominância das potências ocidentais mudando. Um fator importante nessa transformação é o surgimento dos BRICS, uma cooperação de cinco grandes economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Os BRICS são vistos como um contrapeso à influência ocidental tradicional, especialmente à dos Estados Unidos. Os países dentro dos BRICS representam juntos uma grande parte da população mundial e da produção econômica. Eles buscam uma ordem mundial multipolar, onde o poder não está mais exclusivamente com os países ocidentais, o que se expressa em iniciativas conjuntas nas áreas de comércio, finanças e diplomacia. Um instrumento importante dos BRICS é o New Development Bank, liderado pela ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff. Este NDB deve oferecer financiamento alternativo para projetos de infraestrutura e desenvolvimento e fornecer uma alternativa ao dólar americano. Se isso é realista, é questionável, mas o presidente americano Trump já ameaça logo após sua posse em janeiro de 2025 com tarifas de pelo menos 100% "se eles quiserem brincar com o dólar." Os países BRICS compartilham o desejo de quebrar o poder mundial ocidental, mas os interesses mútuos diferem enormemente. Por exemplo, China e Índia têm conflitos territoriais, e a Índia é aliada militar dos EUA, Japão e Austrália. Portanto, é incerto se os BRICS realmente formarão um contrapeso duradouro ao mundo ocidental. Dentro do Mercosul, o Brasil é o único país BRICS, mas é o maior jogador no bloco. A Argentina também havia se inscrito para se tornar membro dos BRICS, mas Milei rapidamente retirou essa solicitação. As considerações que o Brasil fará no futuro permanecem incertas, já que o país terá que se relacionar estrategicamente tanto com os BRICS quanto com a UE. China A China, a força motriz por trás dos BRIC, expandiu consideravelmente sua influência na América do Sul nos últimos anos. Com grandes investimentos em infraestrutura, está fortalecendo sua posição na região. Um exemplo marcante é a construção do porto de contêineres Chancay no Peru, um elo crucial na Rota da Seda Marítima (Belt and Road Initiative, BRI). Com isso, essa rota comercial agora também atinge a costa oeste da América Latina. Tais projetos abrem novas rotas comerciais e reduzem a dependência das conexões transatlânticas tradicionais, permitindo que a China fortaleça ainda mais seu controle sobre o comércio mundial. Vários países do Mercosul olham com interesse para acordos de livre comércio com a China. O Uruguai já está aberto a negociações, enquanto o Brasil opta por não se juntar à Iniciativa Cinturão e Rota (BRI). Dentro do Mercosul, há discussão sobre as diferentes condições que a UE e a China impõem. A UE vincula o comércio a rigorosos requisitos ambientais, o que alguns veem como 'colonialismo verde' – uma interferência na soberania nacional e um freio ao crescimento econômico. A China, por outro lado, não impõe condições políticas, o que a torna um parceiro comercial mais atraente para alguns países. Estados Unidos Enquanto isso, o governo Trump se manteve amplamente afastado do acordo comercial entre a UE e o Mercosul. No entanto, a política protecionista de Trump, com sua preferência por acordos bilaterais e imposição de tarifas, ia contra o acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. Essa política, combinada com uma abordagem diplomática às vezes imprevisível, levou tanto o Mercosul quanto a UE a reconsiderarem suas estratégias comerciais. Ponto de virada Onde os EUA foram uma vez o óbvio parceiro transatlântico da Europa, agora se mostram cada vez menos como um aliado confiável. Isso força a UE a assumir uma posição geopolítica independente. Nessa luz, um acordo comercial com o Mercosul de repente se torna muito mais atraente. O mesmo vale para o Mercosul: em um mundo que está se tornando cada vez mais imprevisível, a família é mais do que bem-vinda. Apesar das diferenças econômicas e políticas entre os estados membros, a UE e o Mercosul compartilham uma longa história, semelhanças culturais e compreensão mútua. Especialmente em tempos incertos, isso pesa mais do que as irritações mútuas. O futuro do tratado Neste momento, em fevereiro de 2025, ainda não há um tratado definitivo entre a União Europeia e o Mercosul. As negociações começaram em 1999, mas foram difíceis desde o início. Em 2004, foram até temporariamente suspensas. Em 2010, houve um reinício e em 6 de dezembro de 2024, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e os presidentes dos países do Mercosul anunciaram que as negociações para o acordo de parceria UE-Mercosul haviam sido concluídas. Mas com isso o acordo ainda não está fechado. Ainda há vários obstáculos no caminho: aprovação pela Comissão Europeia, pelo Conselho da UE (onde os governos dos estados membros se reúnem) e pelo Parlamento Europeu. Além disso, os parlamentos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai também devem ratificar o tratado. Embora as assinaturas ainda não tenham sido colocadas, mudanças geopolíticas parecem estar acelerando as negociações. Os EUA minaram drasticamente sua posição de liderança ao fazer exigências cada vez mais descaradas a seus vizinhos e aliados – desde a reivindicação de matérias-primas e portos na Ucrânia até planos francamente imperialistas para incorporar a Groenlândia e o Canadá. Além disso, vieram tarifas comerciais unilaterais e uma diplomacia gangster com correspondente demonstração de poder. O governo americano força vizinhos, amigos e parceiros a aceitarem "ofertas que não podem recusar". Mesmo a amiga e aliada Europa vê o perigo e está rapidamente se distanciando. Para o Mercosul, tudo isso pode parecer uma forma de justiça – a UE agora recebe o mesmo tratamento que a América Latina vem sofrendo desde o século 19. Mas essa experiência compartilhada também leva a uma realização mais ampla: a Europa e a América Latina (e o Canadá) estão no mesmo barco. A ordem mundial agora é dominada por três grandes blocos de poder expansionistas e oligárquicos, com vários países ao redor que gostariam de se juntar a essa dinâmica. Essa é, infelizmente, a nova realidade com a qual temos que lidar. Para que o acordo UE-Mercosul tenha sucesso, ambos os blocos devem tomar algumas decisões estratégicas. Para a Europa, isso significa adotar uma atitude mais pragmática em relação aos requisitos ambientais, por exemplo, através de uma implementação em fases e mecanismos de compensação para os países sul-americanos. O Mercosul, por sua vez, terá que tomar medidas para fortalecer as normas comerciais e a transparência para reduzir a resistência europeia. Além disso, é necessária liderança diplomática para superar a divisão interna dentro de ambos os blocos – tanto na Europa, onde França e Alemanha estão diametralmente opostas, quanto dentro do Mercosul, onde Uruguai e Brasil querem seguir seu próprio curso. Um acordo, portanto, não é óbvio, mas as alternativas são menos atraentes. Sem um tratado, o Mercosul permanece economicamente vulnerável e dependente da China e dos EUA, o que também é cada vez mais verdadeiro para a Europa. Em um mundo onde as alianças geopolíticas estão se tornando cada vez mais frágeis, a cooperação mais estreita não é um luxo, mas uma necessidade. O próximo ano determinará se a UE e o Mercosul se atrevem a avançar nisso – ou permanecem presos na antiga dinâmica de desconfiança e divisão. E isso último, não podemos mais nos dar ao luxo.
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